Isac Venancio

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A MAGIA DE UM PEQUENO INSTANTE

In [...] on 09/01/2011 at 3:52 PM

Naquele pequeno instante, me senti o ser vivo mais importante de toda via láctea, pois senti algo tão mágico e bom que ouso até apostar com qualquer outra pessoa que não estou sonhando, pois sei que no fim, ganharei.

Tudo parecia tão normal, e acho que é esse presságio que deixa as coisas tão misteriosas. De repente você transformou um dia, uma hora, um minuto e um segundo qualquer em pura mágica: mudou os ares, redistribuiu as cores pela paisagem, alavancou a percepção de meus sentidos, e transformou o mais simples dos atos numa profusão de energia revigorante.

Passou caminhando vagarosamente na minha frente, e tudo estaria na mesma nostalgia caso continuasse olhando adiante quando, sem que eu esperasse, mudou a direção de suas órbitas e focou na minha humilde presença, enviando-me um doce beijo.

Sou extremamente feliz e grato, pois dentro de meus pensamentos posso voltar minha memória e recuperar a imagem mental que criei deste lindo momento, para mais uma vez mergulhar-me em total prazer. Sei que vais ficar surpreso, pois acreditará que nada fez. Entretanto, é no pátio da tua simplicidade que eu me deleito, indo de encontro à paz que o mundo não está a fim de me proporcionar.

Ah, e esses olhos! Esses doces olhos, que se abrem com carinho para mim, que transbordam mel, e que me afastam de todo mal.

O que falar então dos lábios?

Deles, esperei com ignorância a mesma coisa de todos os outros que beijei, quando mais uma vez você me surpreendeu com o magnífico sabor que tens, e a cada vez que eu os toco, pergunto-me se sou tão especial assim para merecê-los, pois o prazer deles é tão forte como o prazer de sentir a água morna do mar ao encontro dos pés fincados na areia.

Teu beijo é tão energizante quanto o melhor chocolate que alguém possa vir criar. É tão calmo como calmo é o vento que inaugura a primavera. É tão intenso quanto um orgasmo tântrico. É tão viciante quanto um coquetel de Lucy no Céu com Diamantes, acompanhados da branca Colombiana…

É tão especial que sinto eu precisar do bom uso de cem por cento do meu cérebro para descrevê-lo com dignidade. Mas oh, meu pequeno garoto, nós usamos apenas dez por cento desta massa cinzenta que jaz dentro do crânio, e agora me sinto decadente por saber que não importa o esforço que eu faça, jamais conseguirei descrever a magia do teu beijo e o mistério dos teus lábios com merecida lucidez!

Talvez seja esse o grande desafio. Talvez seja isso o que nos mantém conectados um ao outro. E por ainda desejar essa conexão, paro por aqui, antes que eu sofra um derrame irreversível, pois se isso acontece, sei que dos teus doces olhos eu verei cair lágrimas, e dos teus mágicos lábios, ouvirei tristes soluços de choro, coisa que eu jamais desejarei que aconteça, pois imaginar isso é como imaginar a mais bela construção que Deus fez, derrubada pela mais inofensiva das brisas.

Escrevo estes parágrafos para que o mundo não perca a esperança, e saiba que ainda existem grandes amores.

E se eu penso, é para poder te fazer sorrir.

E se eu respiro, é para poder continuar te amando.

E por enquanto, é tudo o que os meus dez por cento de cérebro puderam pensar para te homenagear…

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A Fazenda – Parte 02.

In [...] on 08/25/2011 at 4:07 PM

– Você sabe do que eu gosto pela manhã…

Fiquei te observando por um bom tempo enquanto eu dizia isso de uma forma misteriosamente provocante. Reviravas o corpo pelo lençol, como se quisesse ser parte dele para sempre. Fez cara de quem não prestou atenção, de quem queria dormir mais um pouco sem ser afortunado por nada.

E eu ali, na minha mais intacta e pura paciência. Afinal, eu lhe conhecia muito bem, e o revirar de seu corpo de um lado para outro a meu ver era uma demonstração de aceitação: o prazer de ser convidado, logo pela manhã, a participar de algo tão prazeroso e autêntico que era o nosso sexo.

Tentei por um momento apostar que não sentiria aquela mesma sensação de segurança e prazer enquanto eu subia em cima de você, mas oh, como eu era facilmente corrompido pelas minhas ignorantes dúvidas! Estar em cima de você e me manter caloroso entre seus braços era como observar da mais alta das montanhas o início e o fim do Apocalipse por todo resto do Planeta, enquanto eu estava num lugar seguro, certo de que iria sobreviver de todos os problemas.

Talvez seja por isso que o orgasmo é algo tão rápido, pois creio eu que já teria morrido precocemente se o que eu senti conectado junto a ti durasse por longas horas.

Com uma caneca na mão acrescida de bastante café, observei o vento levar as cinzas de nossa fogueira noite passada. O sol desabrochava rápido, pois a lua já tinha contado, antes de ir trabalhar no hemisfério vizinho, tudo o que ocorrera noite passada, o que fez com que a imensa bola de fogo que daqui debaixo eu observava chegasse tão veloz. Veio então quente a estrela da manhã, irradiando energia e dando vivacidade as cores da floresta diante de mim.

 Senti um leve susto ao perceber que algo dominava minha orelha. Senti que era uma flor, acompanhada do teu leve sussurrar:

 – Bom dia… – Você me disse.

 Olhei então a flor, aquela mesma flor, comum de se achar em todo pequeno jardim, de senhoras aposentadas que se cansam de falar com as pessoas, e decidem dialogar com as plantas. Flor esta que não era pega para fazer perfume nenhum, e mesmo assim, era para mim a mais bela de todas.

 – Essa foi a primeira flor que você me deu, no dia em que nos conhecemos.

 Ficou espantado, pois eu ainda me lembrava de tudo como se tivesse acontecido há meia hora. Entendi seu silêncio, pois junto a ele veio um abraço forte, e um beijo mais forte do que a força de três dos teus fortes abraços.

 –

 O rio foi perdendo sua graça. Aliás, toda a natureza só tinha graça porque a magnitude da tua beleza a decorava.

 Fumei um último cigarro enquanto você se aprontava, e então como se quem quisesse ter uma última sensação de aventura, joguei um punhado de água em cima da tua roupa seca, enquanto me preparei para correr. Veio logo atrás, com cara de que ia aprontar comigo, e eu sabia que se realmente corresse, não haveria reza que faria você me alcançar.

 Então decidi fazer de conta que estava cansado. Afinal, eu queria ser realmente pego, e antes que pudesse se vingar, eu já estava mais uma vez com os meus lábios de encontro aos teus.

 Passamos para pegar as mochilas. A casa, ainda bem, já estava toda arrumada. Jogamos tudo nos bancos de trás e subimos em cima do carro sem realmente saber se ele seria capaz de nos agüentar. O sol já não ardia mais nos olhos, e então dividimos um pouco de nicotina, passando aqueles últimos cinco minutos no mais puro e belo dos silêncios que havia.

 – Vamos? – Você perguntou.

– Oui, Mr. D! – Respondi, rindo atoa com a espontânea rima.

Por um momento, achei chata a idéia de retornar. Por um momento, achei chato ver os pingos amarelos no meio da pista se transformando em amarelas listras. Por um momento, achei chato ser ofuscado novamente pelo brilho dos semáforos, e só não dei importância a tudo aquilo pois, do meu lado esquerdo, estava você dirigindo e me levando de volta à realidade.

E então, ao dormir, imaginei que a realidade era uma coisa realmente chata, e pensei por um leve momento que esses dois dias na fazenda só poderiam ser frutos da minha cabeça, tão bons eram eles, sem nem saber se eu era merecedor de tudo o que passei junto a você.

Parei de confabular coisas, e observei quietinho os seus olhos se fechando vagarosamente, o seu respirar denunciando que já tinhas alcançado o sono. Foi como um close de uma câmera cinematográfica, que percorria lentamente os cobertores até fechar o quadro no teu rosto, agora em paz.

Um momento inesquecível, definitivamente.

Mas eu sabia que, para mim, não era necessário uma fazenda, uma lua, um sol, uns gravetos crepitando no fogo, uns uivos da floresta, uns fiapos de manga, um céu escarlate…

A única coisa que eu precisava para ser feliz era aquela que estava ao meu lado na cama, a que eu sempre olhava antes de dormir.

Você.

 

FIM

Imposível

In [...] on 07/28/2011 at 12:41 AM

Levante das cinzas para não mais chorar!

Com passos firmes no chão da vida,

Não Olhar Para Trás

É a promessa que em teu seio deves fincar.

.

Para ter sucesso,

Uma grafia da tua mente precisa ser queimada,

Um único nome precisa ser omitido.

.

Portanto, incinere-o!

Queime de uma só vez este adjetivo batizado de

“Imposível”.

.

Com a palavra em chamas,

Teu futuro é garantido,

E tua ascensão,

Em breve será visível.

.

Em seguida,

Prestigie os prazeres da vida,

Assim como eu que,

Irradiado da alegria de estar e ser

Esqueço-me até a maneira de como essa palavra escrever.

A fazenda – Parte 01.

In [...] on 07/14/2011 at 1:53 AM

Daríamos adeus à selva de pedra como se nunca mais fôssemos voltar.

As ruas quentes da metrópole transformar-se-iam numa longa massa cinzenta, salpicada pelos traços amarelados que logo tomariam forma de pingos, difíceis de enxergar ao longo do trecho, ao cair da noite.

O horizonte se pintaria de rosa, forçando o céu a sorrir para nós dois um escarlate surreal, tão lindo que poderia jurar em pensamento que, se o mundo sucumbisse naquele instante, não haveria grito de dor que fosse necessário ser dado.

Pois o céu por si só já estaria de luto, trajando uma seda cor de vinho em nossa homenagem.

A morte, entretanto, não me permeava os pensamentos agora.

Foi quando acordei de repente de meus delírios, quando me deparei com sua imagem ao meu lado, sorrindo feito criança em dia de São Cosme e Damião.

– Chegamos!

A noite não havia se apresentado ainda, como se o crepúsculo tivesse pedido ao Arquiteto do Universo para chegar um pouco mais atrasado naquele fim de dia, enquanto tínhamos tempo suficiente para subir numas duas árvores para catar mangas, chupando até as almas delas. Pra gente, se sujar e ter os dentes cobertos de fiapos era tão necessário naquele dia como manter a respiração para continuar vivendo.

Então começaríamos a pegar os gravetos menores, e depois as grandes lascas de madeira, para montar uma fogueira nem tão grande, nem tão pequena, mas o suficiente para ficar estalando até a hora em que fôssemos dormir.

E no meio do caminho, um beijo.

Um beijo acompanhado do uivo da floresta e do cheiro das frutas. Um beijo dado entre as árvores, como se estivéssemos pedindo aos deuses para nos perdermos ali para sempre.

Entretanto, iria embora tão rápido como veio.

Afastaria aos poucos seu rosto do meu, a sua boca da minha, fazendo dengo e mantendo o suspense. Afinal de contas, se continuássemos ali, não haveria fogueira, e dormiríamos morrendo de fome.

A noite chegou e, para nosso espanto e alegria, esqueceu-se de trazer as nuvens. Gotas brilhantes salpicavam na penumbra, enquanto eu preparava um caldo, teoricamente falando, afinal poderíamos chamar aquilo de creme visto à intensidade dos sabores e dos ingredientes. Estaria bom de qualquer maneira, independente da nomenclatura que levasse.

Afinal havia, antes de qualquer coisa, um ingrediente indispensável chamado carinho.

E como o louco que sei que és, acenderia a fogueira com quase metade de uma garrafa de álcool.

– Cuidado menino! – Gritaria eu, espantado com as possíveis queimaduras que você poderia obter fazendo uma travessura desse naipe.

Mas você já não é menino, nem garoto. O rosto poderia ter essas formas, mas por dentro era um homem.

O meu homem.

– O caldo tá bom?

– Muito! – Responderia você de boca cheia, tal como a empolgação de um moribundo preso nos porões da ditadura que ficara sem comer há duas semanas.

Abriríamos um vinho em seguida, e dessa vez haveria duas taças de cristal, pois copos descartáveis são utensílios que usamos na cidade, aquela que ficou lá para trás.

Entornaríamos a garrafa toda em pouco tempo, enquanto nos beijávamos e tentávamos desesperadamente chamar a chuva por meio de uma coreografia desordenada e esquisita. Fazendo certo ou errado, existindo de verdade ou não, sabíamos que a dança da chuva não surtiria efeito.

Definitivamente, não choveria nessa noite tão linda, agora coberta pelo dourado descomunal da lua que veio para nos espiar.

E então, nos envolveríamos num forte abraço, a roupa aos poucos dizendo adeus para juntar-se ao solo, e eu jurando que estava agora acima da mesosfera, pois estava, na verdade, em cima de você. Literalmente.

O estalo da fogueira fazia duo com nossos gemidos, e a cadeira de praia era firme o bastante para nos agüentar.

Nossa fome, em pouco tempo, saciou-se.

Nossa sede também.

Faltava agora o prazer, que permeou o calor de nossas almas por longas horas.

E então nos renderíamos à satisfação máxima dos nossos corpos, agora nus, traduzida em forma de gozo.

A fogueira parecia agora um grande bloco de gelo, e o suor tinha tomado conta de toda nossa face, que sucumbiu ao prazer de um bom banho quente antes de dormir.

Por fim, nos agarraríamos com um sorriso que se estenderia de uma orelha a outra, felizes por saber que ainda tínhamos mais um dia.

Continua…

03:08

In [...] on 07/06/2011 at 3:36 AM

Sinto-me agora como empresário de um novo bar local que vai bombar!

Ou não.

A lua brilha lá fora e a temperatura – nem quente, nem fria -, agrada-me o corpo a ponto de querer abrir o boteco hoje mesmo, agora.

 “Pode entrar, só preciso que me apresente a identidade.” – Imagino-me falando essas cordialidades para o primeiro cliente.

 “Serão duas doses por conta da casa hoje.” – O garoto olha assustado e feliz ao mesmo tempo.

 Mas não posso inaugurar ainda, infelizmente. Preciso limpar os cantos, juntar as bitucas de cigarro que joguei por aí, lavar pilhas de copos, pratos, talheres, e ver se a decoração está do jeito que eu quero.

Quer saber? Inauguro essa porra amanhã.

Na verdade, acho que estou com tanto sono que já me sinto viajando numa delirante vertigem.

PS.: Não estou abrindo um bar, só estou inaugurando um blog.