Isac Venancio

Archive for julho \28\UTC 2011|Monthly archive page

Imposível

In [...] on 07/28/2011 at 12:41 AM

Levante das cinzas para não mais chorar!

Com passos firmes no chão da vida,

Não Olhar Para Trás

É a promessa que em teu seio deves fincar.

.

Para ter sucesso,

Uma grafia da tua mente precisa ser queimada,

Um único nome precisa ser omitido.

.

Portanto, incinere-o!

Queime de uma só vez este adjetivo batizado de

“Imposível”.

.

Com a palavra em chamas,

Teu futuro é garantido,

E tua ascensão,

Em breve será visível.

.

Em seguida,

Prestigie os prazeres da vida,

Assim como eu que,

Irradiado da alegria de estar e ser

Esqueço-me até a maneira de como essa palavra escrever.

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A fazenda – Parte 01.

In [...] on 07/14/2011 at 1:53 AM

Daríamos adeus à selva de pedra como se nunca mais fôssemos voltar.

As ruas quentes da metrópole transformar-se-iam numa longa massa cinzenta, salpicada pelos traços amarelados que logo tomariam forma de pingos, difíceis de enxergar ao longo do trecho, ao cair da noite.

O horizonte se pintaria de rosa, forçando o céu a sorrir para nós dois um escarlate surreal, tão lindo que poderia jurar em pensamento que, se o mundo sucumbisse naquele instante, não haveria grito de dor que fosse necessário ser dado.

Pois o céu por si só já estaria de luto, trajando uma seda cor de vinho em nossa homenagem.

A morte, entretanto, não me permeava os pensamentos agora.

Foi quando acordei de repente de meus delírios, quando me deparei com sua imagem ao meu lado, sorrindo feito criança em dia de São Cosme e Damião.

– Chegamos!

A noite não havia se apresentado ainda, como se o crepúsculo tivesse pedido ao Arquiteto do Universo para chegar um pouco mais atrasado naquele fim de dia, enquanto tínhamos tempo suficiente para subir numas duas árvores para catar mangas, chupando até as almas delas. Pra gente, se sujar e ter os dentes cobertos de fiapos era tão necessário naquele dia como manter a respiração para continuar vivendo.

Então começaríamos a pegar os gravetos menores, e depois as grandes lascas de madeira, para montar uma fogueira nem tão grande, nem tão pequena, mas o suficiente para ficar estalando até a hora em que fôssemos dormir.

E no meio do caminho, um beijo.

Um beijo acompanhado do uivo da floresta e do cheiro das frutas. Um beijo dado entre as árvores, como se estivéssemos pedindo aos deuses para nos perdermos ali para sempre.

Entretanto, iria embora tão rápido como veio.

Afastaria aos poucos seu rosto do meu, a sua boca da minha, fazendo dengo e mantendo o suspense. Afinal de contas, se continuássemos ali, não haveria fogueira, e dormiríamos morrendo de fome.

A noite chegou e, para nosso espanto e alegria, esqueceu-se de trazer as nuvens. Gotas brilhantes salpicavam na penumbra, enquanto eu preparava um caldo, teoricamente falando, afinal poderíamos chamar aquilo de creme visto à intensidade dos sabores e dos ingredientes. Estaria bom de qualquer maneira, independente da nomenclatura que levasse.

Afinal havia, antes de qualquer coisa, um ingrediente indispensável chamado carinho.

E como o louco que sei que és, acenderia a fogueira com quase metade de uma garrafa de álcool.

– Cuidado menino! – Gritaria eu, espantado com as possíveis queimaduras que você poderia obter fazendo uma travessura desse naipe.

Mas você já não é menino, nem garoto. O rosto poderia ter essas formas, mas por dentro era um homem.

O meu homem.

– O caldo tá bom?

– Muito! – Responderia você de boca cheia, tal como a empolgação de um moribundo preso nos porões da ditadura que ficara sem comer há duas semanas.

Abriríamos um vinho em seguida, e dessa vez haveria duas taças de cristal, pois copos descartáveis são utensílios que usamos na cidade, aquela que ficou lá para trás.

Entornaríamos a garrafa toda em pouco tempo, enquanto nos beijávamos e tentávamos desesperadamente chamar a chuva por meio de uma coreografia desordenada e esquisita. Fazendo certo ou errado, existindo de verdade ou não, sabíamos que a dança da chuva não surtiria efeito.

Definitivamente, não choveria nessa noite tão linda, agora coberta pelo dourado descomunal da lua que veio para nos espiar.

E então, nos envolveríamos num forte abraço, a roupa aos poucos dizendo adeus para juntar-se ao solo, e eu jurando que estava agora acima da mesosfera, pois estava, na verdade, em cima de você. Literalmente.

O estalo da fogueira fazia duo com nossos gemidos, e a cadeira de praia era firme o bastante para nos agüentar.

Nossa fome, em pouco tempo, saciou-se.

Nossa sede também.

Faltava agora o prazer, que permeou o calor de nossas almas por longas horas.

E então nos renderíamos à satisfação máxima dos nossos corpos, agora nus, traduzida em forma de gozo.

A fogueira parecia agora um grande bloco de gelo, e o suor tinha tomado conta de toda nossa face, que sucumbiu ao prazer de um bom banho quente antes de dormir.

Por fim, nos agarraríamos com um sorriso que se estenderia de uma orelha a outra, felizes por saber que ainda tínhamos mais um dia.

Continua…

Duas Rosas

In Oops! on 07/06/2011 at 6:06 PM

E então você recebeu duas rosas, e passou metade do dia feliz pensando que fui eu.

 Infelizmente, não foi.

 Alguém chegou na minha frente, e já nem posso fazer mais nada quanto a questão de chegar em primeiro lugar. Mas não me importo. Afinal, isso não é uma questão de ganhar medalhas.

 Porque enquanto alguns correm para alcançá-las, eu já estou no pódio levantando um troféu de intrigante beleza.

 Esse troféu é você.

 

A vida pra mim tem uma escala de cores que ultrapassa as combinações que uma criança hiperativa pode fazer com uma paleta e um pincel em mãos.

 Por isso ainda não as recebeste de mim: porque sou louco. Porque sou visceral.

 E duas rosas não fazem inverno… Quiçá verão!

 De mim, ganharás um grande buquê. Mas desde já aviso que essa vai ser apenas mais uma falha tentativa de transformar o sentimento que guardo por você numa coisa tangível.

 Acho que não encontrarei repouso. E nem quero.

 Mas talvez me sinta satisfeito se, um dia, eu puder cortar com minhas próprias mãos alguns metros quadrados do jardim mais lindo do planeta, e colocá-lo num buquê para te presentear.

 Porque você merece muito mais que duas rosas.

 

PS.: três meses amanhã.

03:08

In [...] on 07/06/2011 at 3:36 AM

Sinto-me agora como empresário de um novo bar local que vai bombar!

Ou não.

A lua brilha lá fora e a temperatura – nem quente, nem fria -, agrada-me o corpo a ponto de querer abrir o boteco hoje mesmo, agora.

 “Pode entrar, só preciso que me apresente a identidade.” – Imagino-me falando essas cordialidades para o primeiro cliente.

 “Serão duas doses por conta da casa hoje.” – O garoto olha assustado e feliz ao mesmo tempo.

 Mas não posso inaugurar ainda, infelizmente. Preciso limpar os cantos, juntar as bitucas de cigarro que joguei por aí, lavar pilhas de copos, pratos, talheres, e ver se a decoração está do jeito que eu quero.

Quer saber? Inauguro essa porra amanhã.

Na verdade, acho que estou com tanto sono que já me sinto viajando numa delirante vertigem.

PS.: Não estou abrindo um bar, só estou inaugurando um blog.